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O rio da própria aldeia - ou a volta da professora Camila a Lisboa

Escrito por Centro de Formação da Vila | 24 de Julho de 2026

 

O rio da própria aldeia - ou a volta da professora Camila a Lisboa

Em 2024, ao chegar a Lisboa, tentamos responder à pergunta "Por que viajamos?" com três palavras: referência, inspiração, nutrição. Falamos do Tejo, que não é mais bonito do que o rio que corre pela nossa aldeia, mas que nos fez pensar na nossa aldeia sob novas perspectivas. Comentamos a beleza de cruzar o Atlântico e encontrar, do lado de lá, um povo que fala a nossa língua. Ressaltamos o potencial das redes colaborativas de aprendizagem que se formam nessas viagens.

Hoje a professora Camila, da Escola da Vila, está de volta a Lisboa. Ela participou da trilha formativa sobre práticas inclusivas e da viagem de 2024 e agora apresenta um trabalho que ela mesma estruturou a partir daquela experiência. Estamos diante de uma resposta concreta à pergunta que fizemos há dois anos.

Viajar para visitar escolas, ouvir pesquisadores e caminhar por cidades que não são nossas é “sair da ilha para ver a ilha”: usar o rio de outra aldeia para enxergar, com outros olhos, o rio de casa. O distanciamento do próprio contexto cria novos focos, novas formas de olhar. Foi assim que voltamos de Lisboa em 2024: mantivemos contato com David Rodrigues e Luzia Lima Rodrigues, organizamos um curso a partir do livro "Juntos e Justos", de David Rodrigues (formação conduzida por Marília Costa e Fernando Perina, que também estiveram na viagem), publicamos uma revista com artigos que os viajantes produziram a partir do que a experiência lhes ensinou e inspirou.

Camila foi ver o rio de outra aldeia, voltou para trabalhar o rio da própria escola e agora retorna a Lisboa para dialogar com a mesma comunidade acadêmica que a inspirou a olhar de novo para sua prática.

É esse movimento completo, o que vai da referência à autoria, que dá sentido à ideia de formação continuada que defendemos há mais de 45 anos. Formar não é apenas oferecer repertório para que o professor aplique em sala. É criar as condições para que ele produza e compartilhe conhecimento a partir da própria prática.

Talvez seja essa a resposta mais completa a por que viajamos. Viajamos porque gostamos de aprender.