Gestão de problemas e crises na escola: uma competência que se aprende
Por Aline Evangelista Martins
Em 2024, o Centro de Formação da Vila ofereceu, em parceria com a Universidade Diego Portales (Chile), uma formação voltada a gestores e líderes pedagógicos. Ao final de cada aula do módulo “Gestão de problemas emergentes e crises”, o combinado era que não haveria lição de casa: nenhum dos 40 gestores ali presentes teria de praticar, durante a semana, as lições aprendidas na aula. A brincadeira era boa e rendia muitas risadas, afinal, votos de semana sem problemas é algo muito longe do razoável, na maior parte do ano letivo, em qualquer escola. A vida na escola é marcada por conflitos. Boa parte deles resulta em entendimento e aprendizagem. Alguns, no entanto, se tornam problemas. E precisamos estar preparados.
A crise não chega sem avisar — mas a forma de lidar com ela pode ser antecipada
Nas últimas décadas, as escolas têm sido chamadas a responder a situações de complexidade crescente: episódios de violência dentro e fora do ambiente escolar, emergências emocionais de estudantes e docentes, conflitos comunitários agudizados por polarizações sociais, crises de saúde pública. Nenhum desses eventos pode ser inteiramente previsto — mas todos podem ser melhor manejados por gestores que tenham sido formados para isso.
Essa é a premissa que sustenta a existência de programas de formação voltados especificamente à gestão de crises no contexto escolar. Trata-se de desenvolver, de forma intencional, um conjunto de competências que a rotina da gestão raramente oferece tempo para cultivar: a capacidade de manter a calma sob pressão, tomar decisões éticas em contextos de incerteza, comunicar-se com empatia e transparência, e reorganizar a escola após momentos de ruptura.
Prevenir, responder, recuperar
A gestão de crises no contexto escolar envolve três momentos distintos e interdependentes. A prevenção diz respeito à capacidade do gestor de identificar riscos, mapear vulnerabilidades e construir protocolos antes que a crise se instale. A resposta envolve as ações imediatas — que exigem clareza de papéis, comunicação eficaz e tomada de decisão ágil. A recuperação, frequentemente subestimada, trata da capacidade da escola de reconstruir vínculos, reprocessar o ocorrido e retomar seu projeto pedagógico com coesão renovada.
Os três momentos precisam estar presentes na formação. Um gestor treinado apenas para reagir, sem ferramentas para prevenir ou para reconstruir, sai de uma crise mais exausto e menos capaz de enfrentar a próxima. E haverá uma próxima.
O que a formação tradicional não ensina
O problema é que esses saberes raramente compõem os currículos de formação de gestores. Os programas tradicionais — cursos expositivos, palestras pontuais, conteúdos desconectados da prática — têm demonstrado impacto limitado justamente porque a crise não se aprende na teoria. Ela se aprende na simulação, no estudo de casos reais, na discussão coletiva com colegas que já enfrentaram situações semelhantes.
Há ainda uma dimensão que a formação convencional quase nunca contempla: a gestão das próprias emoções. Diante de uma crise, o gestor é testado não apenas em sua capacidade técnica, mas em sua integridade ética, em sua habilidade de conter a ansiedade da equipe e em sua competência para comunicar, com serenidade, o que está acontecendo e o que será feito. Essas são competências humanas — e também precisam ser ensinadas.
É para desenvolver exatamente essas competências que o Centro de Formação da Vila, em parceria com a Universidade Diego Portales, oferece o curso Convivência e Gestão de Problemas. A UDP tem longa trajetória na formação de gestores escolares e traz para o programa um olhar ao mesmo tempo teórico e situado: os participantes trabalham juntos na análise e definição de estratégias, a partir de situações reais, com a mediação cuidadosa do formador. O resultado é uma formação que alia rigor teórico e prática consistente, para que o gestor esteja mais preparado para lidar com problemas e crises.
Acesse o nosso site para mais informações.
https://www.cfvila.com.br/convivencia-e-gestao-de-problemas
Referências
FULLAN, M. The Principal: Three Keys to Maximizing Impact. San Francisco: Jossey-Bass, 2014.
LEITHWOOD, K. et al. Seven Strong Claims About Successful School Leadership. Nottingham: NCSL, 2006.
UNESCO/IIPE. Learning to Lead: A Handbook on School Leadership Development. Paris: UNESCO-IIPE, 2023.
